O mercado de trabalho brasileiro fechou o primeiro semestre de 2026 com 921.645 novos empregos formais, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O saldo representa crescimento de 1,96% no número de vínculos formais entre janeiro e junho. Ao final do período, o país alcançou mais de 48 milhões de empregos com carteira assinada.
Mas o crescimento não aconteceu da mesma forma em todos os setores.
Enquanto Serviços, Construção, Indústria e Agropecuária criaram vagas no acumulado do ano, o Comércio terminou o semestre com saldo negativo.
Qual setor mais criou empregos em 2026?
O grande destaque foi o setor de Serviços.
Entre janeiro e junho, foram criados 571.926 postos formais, crescimento de 2,5%.
Isso significa que, sozinho, o setor respondeu por aproximadamente 62% de todas as vagas líquidas criadas no país no primeiro semestre.
Dentro de Serviços, o maior destaque ficou com atividades ligadas a:
- administração pública;
- defesa;
- seguridade social;
- educação;
- saúde;
- serviços sociais.
Esse grupo criou 208.737 empregos no período.
Construção aparece em segundo lugar
A Construção teve o segundo maior saldo entre os grandes setores.
Foram 168.962 novos empregos formais no primeiro semestre, crescimento de 5,73%.
Dois segmentos puxaram boa parte do resultado:
Obras de infraestrutura: +64.793 vagas.
Construção de edifícios: +60.552 vagas.
O número chama atenção porque a construção possui forte capacidade de gerar empregos em diferentes níveis de qualificação.
Além de engenheiros e técnicos, grandes obras demandam pedreiros, eletricistas, operadores de máquinas, motoristas e profissionais de manutenção.
Indústria criou mais de 143 mil vagas
A Indústria também terminou o semestre no positivo.
O saldo acumulado foi de 143.442 novos postos de trabalho, avanço de aproximadamente 1,6%.
Esse resultado é importante porque empregos industriais costumam movimentar cadeias maiores.
Uma fábrica não contrata apenas trabalhadores diretamente.
Ela também demanda:
- fornecedores;
- transporte;
- manutenção;
- logística;
- serviços administrativos;
- distribuição.
Por isso, a expansão do emprego industrial pode produzir efeitos em outros setores.
Agropecuária também ficou positiva
A Agropecuária registrou saldo de 40.853 novas vagas formais entre janeiro e junho.
Esse mercado costuma apresentar forte influência da sazonalidade.
Períodos de plantio e colheita podem aumentar ou reduzir significativamente a necessidade de mão de obra em determinadas regiões.
Em junho, por exemplo, a Agropecuária criou mais 22.898 empregos, mostrando uma aceleração no fim do semestre.
Comércio foi a exceção
O Comércio foi o único dos cinco grandes setores a terminar o primeiro semestre com saldo negativo.
Foram fechados 3.514 postos de trabalho no acumulado de janeiro a junho.
O dado não significa necessariamente que o comércio esteja em crise generalizada.
O setor possui forte sazonalidade.
Depois das contratações do fim do ano, por exemplo, janeiro e os primeiros meses costumam registrar desligamentos.
Mesmo assim, o resultado mostra uma diferença clara em relação a Serviços e Construção, que tiveram expansão bem mais forte.
Ranking dos setores que mais contrataram
O resultado do primeiro semestre ficou assim:
| Setor | Saldo de vagas |
|---|---|
| Serviços | +571.926 |
| Construção | +168.962 |
| Indústria | +143.442 |
| Agropecuária | +40.853 |
| Comércio | -3.514 |
Os números deixam clara a concentração do crescimento em Serviços.
E somente em junho?
Junho também terminou positivo.
Foram criadas 145.161 vagas formais naquele mês.
Diferentemente do resultado acumulado do semestre, todos os cinco grandes setores tiveram saldo positivo em junho:
- Serviços: +74.514;
- Agropecuária: +22.898;
- Comércio: +19.177;
- Indústria: +14.438;
- Construção: +14.136.
Isso mostra que o Comércio, apesar de ainda negativo no acumulado do ano, voltou a contratar no final do semestre.
Serviços continuam dominando as contratações
A liderança de Serviços não é exatamente uma novidade.
Em maio, o setor já havia criado 45.655 vagas, enquanto o acumulado de janeiro a maio chegava a 493.917 novos empregos.
Entre as atividades que vinham puxando as contratações estavam saúde, serviços sociais, atividades administrativas, transporte e comunicação.
Esse movimento acompanha uma mudança estrutural da economia brasileira.
Grande parte dos novos empregos já não surge apenas em fábricas ou no comércio tradicional.
Eles aparecem também em atividades ligadas a:
saúde, educação, logística, serviços profissionais e administração.
Quais estados mais criaram empregos?
No acumulado de 2026, três estados aparecem na liderança:
São Paulo: +252.558 vagas.
Minas Gerais: +108.977 vagas.
Paraná: +69.638 vagas.
São Paulo sozinho respondeu por mais de um quarto do saldo nacional.
Em termos percentuais, porém, estados menores tiveram expansão proporcional maior.
As maiores altas relativas foram:
- Amapá: +4,25%;
- Acre: +3,38%;
- Mato Grosso: +3,36%.
Isso mostra que olhar apenas para o número absoluto pode esconder movimentos importantes em mercados menores.
O Brasil já tem mais de 48 milhões de vínculos formais
Com os resultados de junho, o estoque total de empregos formais chegou a 48.032.308 vínculos.
Esse número representa o total de relações formais de trabalho registradas no mercado brasileiro.
É importante lembrar que vínculo não é exatamente a mesma coisa que número de pessoas.
Uma mesma pessoa pode, em determinadas situações, possuir mais de um vínculo formal.
Jovens foram destaque nas contratações de junho
Outro dado que chama atenção é a participação dos jovens.
Em junho, trabalhadores de até 24 anos responderam por 125.430 vagas, equivalentes a 86,4% do saldo daquele mês.
Isso sugere uma forte entrada de jovens no mercado formal.
O ensino médio completo também apareceu em destaque.
Trabalhadores com esse nível de escolaridade responderam por 109.255 postos criados em junho.
Para quem procura o primeiro emprego, esses números mostram que parte relevante das contratações está justamente concentrada em posições acessíveis a quem possui ensino médio.
Homens ou mulheres conseguiram mais vagas?
Em junho, o resultado ficou praticamente empatado.
Foram criadas:
72.569 vagas para homens
e
72.592 vagas para mulheres.
A diferença foi de apenas 23 postos.
Isso mostra um equilíbrio incomum no saldo líquido daquele mês.
Qual foi o salário médio de contratação?
O salário médio real de admissão em junho ficou em R$ 2.404,34.
O valor foi R$ 16,90 maior do que o registrado em maio, crescimento real de aproximadamente 0,7%.
Na comparação com junho do ano anterior, o aumento real foi de 1,2%.
Para trabalhadores considerados típicos, a média de admissão foi um pouco maior:
R$ 2.446,27.
Já nos vínculos considerados não típicos, o salário médio ficou em R$ 2.101,51.
Criar empregos significa que os salários estão crescendo muito?
Não necessariamente.
Quantidade de vagas e salário são indicadores diferentes.
Um país pode gerar muitos empregos em áreas de remuneração menor e ainda ter crescimento pequeno da renda média.
No caso de junho, houve aumento real do salário médio de admissão, mas de apenas 1,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Por isso, analisar apenas o número de contratações não mostra toda a situação do mercado de trabalho.
É preciso observar também:
- remuneração;
- produtividade;
- informalidade;
- duração dos contratos;
- qualidade das vagas.
Por que Serviços contratam tanto?
O setor é muito amplo.
Ele inclui desde grandes empresas até atividades ligadas diretamente ao dia a dia da população.
Entram nessa categoria, por exemplo:
- escolas;
- hospitais;
- escritórios;
- transportadoras;
- serviços administrativos;
- empresas profissionais;
- tecnologia;
- hotéis;
- restaurantes;
- serviços sociais.
Como a economia brasileira é fortemente baseada em serviços, é natural que grande parte das vagas apareça nesse segmento.
Além disso, várias dessas atividades dependem mais de pessoas do que de equipamentos industriais pesados.
Por que a Construção cresceu tanto?
A construção apresentou a maior expansão percentual entre os grandes setores no semestre: 5,73%.
Obras de infraestrutura e construção de edifícios foram os principais responsáveis.
Investimentos em rodovias, saneamento, energia, imóveis e outras obras possuem grande capacidade de contratar trabalhadores rapidamente.
O setor também possui forte efeito sobre outras atividades.
Uma obra compra cimento, aço, máquinas, equipamentos e serviços.
Por isso, crescimento na construção pode se espalhar para indústria e comércio de materiais.
Indústria ainda consegue gerar empregos relevantes?
Sim.
Apesar de Serviços dominar as contratações, mais de 143 mil novos postos industriais em seis meses representam um resultado importante.
O desempenho também ajuda a avaliar a atividade econômica.
Quando empresas industriais ampliam produção e contratam mais, pode existir expectativa de maior demanda.
Mas é necessário acompanhar os próximos meses para saber se essa tendência será mantida.
O saldo positivo pode cair no segundo semestre?
Pode.
O mercado de trabalho possui sazonalidade.
Setores diferentes contratam em momentos diferentes do ano.
O Comércio, por exemplo, costuma aumentar contratações próximas à Black Friday e ao Natal.
A Agropecuária acompanha ciclos de produção e colheita.
Já serviços podem variar conforme educação, turismo e outras atividades.
Portanto, os 921 mil empregos do primeiro semestre não permitem simplesmente multiplicar o número por dois para prever o resultado anual.
O que esse resultado significa para quem procura emprego?
A principal informação é onde estão surgindo as oportunidades.
Os dados indicam que Serviços e Construção foram os grandes destaques do primeiro semestre.
Isso pode orientar trabalhadores que pretendem mudar de área ou buscar qualificação.
Algumas atividades relacionadas a saúde, educação, serviços administrativos, logística e obras apresentaram forte geração de postos.
Mas o candidato também deve observar a realidade da própria cidade.
O setor que mais contrata no Brasil não é necessariamente o mesmo que mais contrata em cada município.
Onde procurar as oportunidades?
Quem está procurando emprego pode acompanhar:
- plataformas de emprego;
- páginas de empresas;
- Sine;
- agências estaduais;
- redes profissionais;
- processos seletivos locais.
Também vale olhar diretamente para os setores que estão expandindo.
Uma pessoa interessada em Construção, por exemplo, pode buscar qualificação técnica.
Já em Serviços, existem oportunidades que vão desde funções operacionais até atividades que exigem graduação.
Mais empregos significam economia forte?
É um sinal positivo, mas não suficiente para definir toda a situação econômica.
Emprego formal crescente indica que empresas e organizações estão contratando mais pessoas do que demitindo.
Isso ajuda renda e consumo.
Porém, crescimento econômico também depende de:
- produtividade;
- investimentos;
- inflação;
- juros;
- renda;
- consumo;
- atividade empresarial.
O mercado de trabalho pode continuar forte mesmo durante períodos de desaceleração em outras partes da economia.
Conclusão: Serviços puxaram o mercado de trabalho em 2026
O Brasil criou 921.645 empregos formais no primeiro semestre de 2026, levando o estoque nacional para mais de 48 milhões de vínculos.
Mas a geração de vagas esteve longe de ser equilibrada.
Serviços respondeu por 571,9 mil postos, seguido por Construção, com quase 169 mil, e Indústria, com mais de 143 mil.
A Agropecuária também ficou positiva, enquanto o Comércio terminou o semestre com pequena perda líquida de postos.
Para quem procura emprego, o resultado deixa uma mensagem clara:
as oportunidades existem, mas estão cada vez mais concentradas em determinados setores, atividades e regiões.
A pergunta, portanto, não é apenas quantos empregos o Brasil está criando.
É onde essas vagas estão sendo abertas e quais profissionais estarão preparados para ocupá-las.
Perguntas frequentes
Quantos empregos o Brasil criou no primeiro semestre de 2026?
Foram 921.645 novos empregos formais entre janeiro e junho.
Qual setor mais contratou?
Serviços liderou, com 571.926 novas vagas formais.
Qual foi o segundo setor que mais gerou empregos?
A Construção, com 168.962 postos, seguida pela Indústria, com 143.442.
O Comércio criou empregos?
No acumulado do primeiro semestre, não. O setor terminou com saldo negativo de 3.514 vagas, embora tenha voltado a gerar postos em junho.
Qual estado mais criou empregos em 2026?
São Paulo liderou o primeiro semestre, com 252.558 novas vagas.
Qual foi o salário médio de admissão?
Em junho, o salário médio real de contratação ficou em R$ 2.404,34.



