Suplementos proibidos pela Anvisa: veja os riscos e como identificar produtos irregulares
Os suplementos proibidos pela Anvisa voltaram a chamar atenção em agosto de 2026 após novas ações contra produtos irregulares e medicamentos falsificados.
Em uma das fiscalizações mais recentes, a Agência determinou medidas contra o suplemento Newfit, o Mounja Gummy, produtos da marca Shark Pro e um lote falsificado do medicamento Trodelvy.
O caso mostra que o consumidor precisa olhar além da embalagem e das promessas feitas na internet.
Um produto pode parecer um suplemento comum e, ainda assim, conter substâncias não informadas, apresentar falhas de fabricação ou sequer estar devidamente regularizado.
Quais suplementos foram proibidos pela Anvisa?
Uma das medidas anunciadas em 17 de agosto de 2026 atingiu o Suplemento Alimentar Newfit.
Análises realizadas pelo Laboratório de Química da Unicamp identificaram no produto três substâncias ativas que não estavam declaradas no rótulo:
- sibutramina;
- fluoxetina;
- furosemida.
A Anvisa determinou a apreensão do produto e proibiu fabricação, venda, distribuição, divulgação e uso.
O problema é especialmente grave porque o consumidor pode acreditar que está ingerindo apenas um suplemento alimentar quando, na prática, também está sendo exposto a substâncias farmacologicamente ativas.
Mounja Gummy também foi proibido
Outro produto atingido foi o Mounja Gummy.
Segundo a Anvisa, ele não possuía registro, notificação ou cadastro na Agência.
Por isso, foram proibidas sua fabricação, comercialização, distribuição, importação e divulgação, além de determinada sua apreensão.
Esse tipo de caso reforça uma regra importante:
produto vendido na internet não é necessariamente produto regularizado.
Produtos Shark Pro foram recolhidos
A fiscalização também atingiu todos os suplementos da marca Shark Pro, fabricados pela RCA Labs.
Uma inspeção realizada pela Vigilância Sanitária de Capivari, em São Paulo, encontrou problemas como:
- ausência de controle adequado da matéria-prima;
- armazenamento inadequado;
- falta de registros de manutenção dos equipamentos;
- ausência de estudos de estabilidade;
- produtos sem regularização adequada.
A Anvisa determinou que esses suplementos não fossem fabricados, distribuídos, divulgados ou utilizados.
Anvisa também encontrou medicamento falsificado
As medidas não ficaram restritas aos suplementos.
O lote 10008808 do medicamento Trodelvy foi classificado como falsificado depois que a empresa detentora do registro informou não reconhecer aquele lote.
A falsificação de medicamentos é especialmente perigosa.
O consumidor pode receber um produto com composição diferente, concentração incorreta ou até sem o princípio ativo esperado.
O que significa encontrar medicamentos escondidos em um suplemento?
Significa que o consumidor não sabe realmente o que está ingerindo.
No caso do Newfit, a presença de sibutramina, fluoxetina e furosemida não era informada na embalagem.
Isso pode aumentar o risco de:
- efeitos adversos;
- interações com outros medicamentos;
- uso por pessoas que não poderiam consumir aquelas substâncias;
- dificuldade para identificar a causa de uma reação.
A situação também mostra por que suplementos não devem ser vistos automaticamente como produtos sem risco.
Produto “natural” significa seguro?
Não.
Palavras como “natural”, “fit”, “detox” ou “ervas” não garantem segurança, eficácia ou regularização.
Em agosto de 2026, por exemplo, a Anvisa determinou medidas contra um produto chamado Ozempic Natural, que não possuía registro sanitário.
Poucos dias depois, a Agência também proibiu produtos vendidos com nomes associados a emagrecimento, como “Milagroso Ervas Mounjaro Turbo” e outros itens sem regularização adequada.
O nome comercial não substitui uma avaliação sanitária.
Como saber se um suplemento é autorizado?
A Anvisa possui ferramentas públicas para consulta.
Atualmente, suplementos regularizados podem aparecer como registrados ou notificados, dependendo das regras aplicáveis ao produto.
No caso de suplementos registrados, a embalagem deve informar “Alimento registrado na Anvisa” acompanhada do número correspondente. Para os notificados, deve aparecer a indicação de “Alimento notificado na Anvisa” e o número do processo.
O consumidor pode utilizar esses dados para consultar o produto no sistema da Agência.
Como consultar suplementos proibidos pela Anvisa?
A própria Anvisa mantém uma página específica para consulta de produtos irregulares.
O procedimento é simples:
- acessar a área de produtos irregulares;
- escolher a categoria “alimento”;
- consultar a lista;
- informar o nome do produto se desejar fazer uma busca específica.
A Agência lista como irregularidades frequentes o uso de ingredientes não autorizados, problemas de qualidade, propaganda enganosa, alegações de saúde sem comprovação e fabricante desconhecido.
Marketplace conhecido garante que o suplemento é verdadeiro?
Não.
Um exemplo recente ocorreu com o suplemento Omegafor Plus.
Em agosto, a Anvisa determinou a apreensão do lote B25 2501951 depois que a fabricante do produto original informou não reconhecer sua produção.
Segundo a Agência, o item estava sendo divulgado e vendido pela internet.
Ou seja, estar presente em uma grande plataforma não é garantia automática de autenticidade.
O consumidor ainda precisa verificar quem é o vendedor e de onde veio o produto.
Preço muito baixo pode ser sinal de alerta?
Pode, especialmente quando a diferença é muito grande.
Uma promoção isolada não significa fraude.
Mas um suplemento ou medicamento normalmente caro sendo vendido por uma fração do valor encontrado em estabelecimentos conhecidos merece atenção.
Preço muito baixo pode estar relacionado a:
- falsificação;
- produto de origem desconhecida;
- lote irregular;
- armazenamento inadequado;
- venda clandestina.
É importante considerar o preço junto com outros sinais.
Erros na embalagem podem denunciar falsificação
Sim.
Medicamentos falsificados apreendidos em 2026 apresentaram diferenças visíveis em relação aos produtos legítimos.
No caso de lotes falsificados de Mounjaro, a Anvisa citou problemas como números de lote não reconhecidos, serial incompatível, dispositivo diferente do original e até erro de grafia na embalagem.
Por isso, vale observar:
- impressão;
- ortografia;
- lacres;
- lote;
- validade;
- qualidade da embalagem.
Mudanças suspeitas devem ser investigadas.
Comprar sem nota fiscal aumenta o risco
A nota fiscal ajuda a comprovar a origem da compra.
Ao orientar a população sobre medicamentos falsificados, a Anvisa recomenda adquirir esses produtos somente em farmácias devidamente regularizadas, na embalagem completa e com emissão de nota fiscal.
Isso é especialmente importante para medicamentos de alto valor ou muito procurados.
Sem comprovante, localizar a origem de um produto irregular pode ser muito mais difícil.
Suplementos podem prometer curar doenças?
Em geral, não devem ser apresentados como medicamentos.
A Anvisa reforça que as alegações autorizadas para suplementos estão relacionadas aos papéis metabólicos dos nutrientes e substâncias no organismo.
Alegações com finalidade terapêutica ou medicamentosa exigem outro tipo de comprovação e regulamentação. Em agosto, a Agência chegou a recolher suplementos com ozônio cuja publicidade atribuía benefícios terapêuticos não aprovados.
Por isso, frases como:
“cura determinada doença”
“substitui medicamento”
“emagrecimento garantido”
merecem atenção redobrada.
Influenciadores garantem que um produto é seguro?
Não.
Uma recomendação nas redes sociais não equivale à aprovação da Anvisa.
Influenciadores podem divulgar produtos sem conhecer completamente sua regularização, procedência ou composição.
Da mesma forma, milhares de avaliações positivas em um marketplace não substituem uma consulta oficial.
Na área de saúde, popularidade não é sinônimo de segurança.
Qual é a diferença entre produto irregular e falsificado?
Um produto irregular pode existir de fato, mas descumprir alguma regra sanitária.
Por exemplo:
- ingrediente não permitido;
- falta de notificação;
- propaganda irregular;
- falha de fabricação.
Já um produto falsificado tenta se passar por outro produto legítimo.
Ele pode copiar marca, embalagem, lote ou aparência sem ter sido fabricado pela empresa verdadeira.
Nos dois casos, o consumidor pode estar exposto a riscos.
As regras para suplementos também estão mudando
Outro ponto importante em 2026 é a transição regulatória do setor.
A Anvisa alertou que empresas abrangidas pelas novas regras têm até 1º de setembro de 2026 para cumprir determinadas etapas de adequação relacionadas à RDC 843/2024.
Por isso, consumidores podem encontrar diferentes formas de regularização durante esse período de transição.
Isso torna ainda mais importante consultar os dados diretamente nos sistemas oficiais da Agência, em vez de confiar apenas em frases impressas nas embalagens.
O que fazer se você já comprou um suplemento proibido?
Se o produto estiver entre aqueles cuja utilização foi proibida, o mais seguro é não continuar consumindo.
Guarde:
- embalagem;
- lote;
- comprovante de compra;
- nota fiscal;
- identificação do vendedor.
Se houver algum sintoma ou reação após o consumo, procure atendimento de saúde e informe exatamente qual produto utilizou.
Esses dados podem ser importantes para avaliar o caso.
Como reduzir o risco ao comprar suplementos?
Algumas verificações simples ajudam:
Confira a regularização. Consulte o produto no sistema oficial da Anvisa.
Observe o fabricante. Desconfie quando não houver informações claras sobre a origem.
Analise o anúncio. Promessas milagrosas merecem cautela.
Confira a embalagem. Erros, lacres suspeitos e impressão ruim podem ser sinais de falsificação.
Verifique o vendedor. Especialmente em marketplaces.
Guarde a nota fiscal. Ela ajuda a comprovar a procedência.
Por que esse mercado exige atenção?
Suplementos são vendidos em academias, lojas especializadas, farmácias, sites, marketplaces e redes sociais.
Essa facilidade amplia o mercado legítimo, mas também cria espaço para produtos de procedência duvidosa.
Em 2026, a Anvisa já realizou diferentes ações contra suplementos, medicamentos e produtos vendidos com alegações de emagrecimento, além de lotes falsificados comercializados pela internet.
O consumidor precisa, portanto, tratar produtos de saúde com mais cuidado do que uma compra comum.
Conclusão: antes de consumir, verifique o que realmente existe dentro da embalagem
Os recentes suplementos proibidos pela Anvisa mostram que aparência profissional, propaganda forte e presença na internet não garantem segurança.
Em agosto de 2026, a Agência encontrou desde produtos sem regularização até suplemento contendo sibutramina, fluoxetina e furosemida sem informação no rótulo, além de um lote falsificado de medicamento.
O consumidor não precisa conhecer todas as normas sanitárias.
Mas pode adotar algumas atitudes simples: pesquisar o produto, verificar fabricante, desconfiar de promessas milagrosas, conferir embalagem e guardar a nota fiscal.
Antes de perguntar apenas “esse suplemento funciona?”, vale fazer uma pergunta ainda mais importante:
“Esse produto é realmente aquilo que a embalagem afirma ser?”



