O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova rodada de tarifas alfandegárias para aproximadamente 60 países, conforme declarou o representante comercial americano Jamieson Greer em entrevista à CNBC. A medida visa substituir a tarifa global temporária de 10% que estava em vigor após decisão da Suprema Corte americana e que estava prevista para expirar. O anúncio intensifica a já tensa guerra comercial promovida pela administração Trump desde o início do segundo mandato.
Por que as tarifas estão sendo revisadas?
Em fases anteriores da política tarifária de Trump, a Suprema Corte dos EUA derrubou parte das sobretaxas aplicadas de forma ampla, forçando o governo a reformular a base legal das medidas. Como solução, a administração está preparando novas declarações de emergência e estruturas jurídicas alternativas para sustentar as tarifas em diferentes países.
A tarifa global de 10% que vigorava como medida temporária não era suficiente para os objetivos do governo americano. A nova rodada busca estabelecer alíquotas individualizadas por país, com taxas diferenciadas conforme o perfil comercial de cada nação com os EUA.
Quais países estão na mira?
Entre os principais afetados estão parceiros comerciais de grande porte dos Estados Unidos. Alguns exemplos de alíquotas já divulgadas ou sinalizadas:
- Brasil: 25% (vigência a partir de 22 de julho de 2026)
- Canadá: 35% (além de tarifas setoriais já existentes)
- União Europeia: negociada para 15% após acordo bilateral
- Japão e Coreia do Sul: aguardam definição final
- Demais países: entre 10% e 20% como base geral
O que motivou essa escalada tarifária?
A política tarifária de Trump tem múltiplas motivações declaradas: pressionar países a negociar acordos comerciais mais favoráveis aos EUA, reduzir déficits comerciais americanos, proteger setores industriais nacionais e, em casos específicos, exercer pressão política — como no caso do Brasil, onde a situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro foi mencionada em momentos anteriores do processo.
O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, sinalizou que produtos que os americanos não produzem internamente — como determinadas frutas tropicais, café e cacau — poderiam receber isenção ou tarifa zero, reconhecendo que taxar esses itens prejudica o próprio consumidor americano.
Impacto para o comércio global
Analistas econômicos alertam que a nova rodada de tarifas pode gerar pressão inflacionária nos EUA, à medida que produtos importados ficam mais caros. Ao mesmo tempo, países exportadores precisam recalibrar suas estratégias comerciais — buscando novos mercados ou negociando reduções nas alíquotas.
Para o Brasil, em particular, a tarifa de 25% chega em um momento em que as exportações brasileiras já haviam se diversificado com sucesso. Em 2025, o país bateu recorde histórico de exportações — US$ 348,7 bilhões — sustentado principalmente pelo crescimento das vendas à China e à União Europeia.
Respostas dos países afetados
A União Europeia havia preparado um pacote de contramedidas de 26 bilhões de euros antes de fechar acordo com os EUA para reduzir as tarifas. O Canadá, por sua vez, enfrenta uma tarifa de 35% além das sobretaxas setoriais já existentes, em meio a tensões que envolvem questões como fluxos de fentanil e acordos de livre comércio.
Países com grandes déficits comerciais com os EUA — como Taiwan, Suíça e Índia — ainda aguardavam definição formal sobre suas alíquotas no momento dos anúncios mais recentes.
Perguntas frequentes
Quantos países foram afetados pelas novas tarifas de Trump?
Aproximadamente 60 países receberão novas tarifas nesta rodada, conforme declarou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
A tarifa de 10% que vigorava antes ainda vale?
Não. A tarifa global temporária de 10% estava prevista para expirar e está sendo substituída por alíquotas individualizadas por país nesta nova rodada de anúncios.
Os países podem negociar para reduzir as tarifas?
Sim. A União Europeia, por exemplo, negociou a redução de suas tarifas de 30% para 15%. Outros países também estão em processo de negociação bilateral com o governo americano.
As tarifas de Trump afetam o consumidor americano?
Sim. Produtos importados com tarifas mais altas tendem a ficar mais caros para o consumidor nos EUA. Itens sem substitutos locais — como açaí, determinados tipos de café e carne bovina brasileira — podem ter alta de preço direta no varejo americano.
Conclusão
A nova rodada de tarifas de Trump para 60 países marca mais uma escalada em uma guerra comercial que tem redesenhado as relações econômicas globais desde o início do segundo mandato. Com alíquotas diferenciadas por país e uma base legal em constante reformulação, o cenário ainda é de incerteza — tanto para os países exportadores quanto para os próprios consumidores e empresas americanas.



