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Taxação de Donald Trump sobre o Brasil já afeta o marketing

Mesmo que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de taxar em 50% todos os produtos brasileiros exportados para o país norte-americano a partir de agosto não se concretize, já se sentem os efeitos negativos. Segundo o professor Marcelo Coutinho, da EAESP/FGV, do ponto de vista do marketing e da comunicação, os prejuízos começam a aparecer mesmo na hipótese de a taxação não se materializar.

Em um cenário onde o preço de um produto pode ficar 50% mais caro ou mais barato, a máxima de que “a única certeza é a incerteza” se torna realidade. Isso leva os gestores a adiar investimentos em lançamentos, contratações e comunicação. Mesmo com percentuais menores de taxação, o ritmo dos investimentos fica comprometido, especialmente no mercado interno.

No aspecto externo, as multinacionais enfrentam incertezas quanto à continuidade da cadeia de suprimentos. A indústria automotiva, por exemplo, depende de diversos componentes cuja chegada fica em dúvida, e empresas que importam produtos do Brasil — inclusive para uso interno — também sofrem com o impacto. Assim, os desdobramentos dessa medida afetam tanto marcas americanas quanto brasileiras.

O professor Pedro Brites, da FGV, na área de Relações Internacionais, ressalta que setores como o de petróleo e derivados, e o de aço, sofrem ainda mais com a medida, já que os produtos exportados para os EUA são essenciais para esses segmentos. Enquanto redirecionar as exportações de petróleo para outros parceiros é uma possibilidade, a indústria do aço sente o impacto de perder um parceiro comercial estratégico.

Mesmo o agronegócio, que já conquistou mercados globais importantes, enfrenta desafios, já que os EUA continuam sendo um destino relevante para alguns produtos. Produtores de café e laranja, por exemplo, já têm demonstrado insatisfação com a política tarifária, embora haja espaço para renegociações ou redução de alíquotas no futuro.

Jogo político-econômico

Coutinho destaca que, em uma economia neoliberal subdesenvolvida, o acesso ao Estado é um recurso que os setores produtivos podem recorrer. No entanto, observa que essa dinâmica também se verifica nos EUA, onde diversas empresas, inclusive as big techs, têm recuado em suas políticas de diversidade e inclusão diante das pressões governamentais.

Questionado sobre a possibilidade de resolução por meio diplomático — como mencionou o ministro da Fazenda na última quinta-feira — o professor argumenta que uma solução negociada exige a atuação diplomática de todos os envolvidos. Ele ressalta que a “diplomacia” dos EUA tem sido bastante peculiar, especialmente considerando a postura adotada por Trump em relação aos Brics.

Após direcionar ameaças ao grupo econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, Trump indicou que outros países que estreitarem relações com o bloco poderão ser punidos com taxações. Para Brites, essa postura sinaliza uma crescente agressividade geoeconômica e política, com o intuito de limitar a influência dos Brics na arena internacional.

A última reunião do grupo, realizada no Rio de Janeiro, já gerou reações no governo americano. Ainda que a ausência dos líderes da China e da Rússia tenha sido notória, uma declaração questionando o papel do dólar evidenciou as preocupações dos EUA. Segundo Brites, colocar o Brasil no radar norte-americano reflete o deslocamento da prioridade, que antes se voltava a China e Rússia, para agora incluir o principal parceiro comercial latino-americano.

Para os Brics, essa situação, apesar de ameaçadora, ressalta a necessidade de uma articulação mais estreita entre os países do grupo. Reduzir a dependência do dólar e da economia americana pode, a longo prazo, favorecer esses países e promover relações mais autônomas.

Tiro no pé

Do ponto de vista político, a medida pode ser interpretada como “um tiro no pé” para os EUA, pois estimula os países do bloco a aprofundar sua integração econômica, a questionar o papel do dólar e a reduzir a dependência em relação à economia americana.

Brites afirma que as ações tarifárias terão um custo elevado para os Estados Unidos. Dado que o país detém um superávit comercial com o Brasil, a cobrança de taxas pode gerar pressão inflacionária na economia americana. Além disso, o fato de o Brasil ter déficit comercial e não adotar posturas agressivas transmite aos parceiros norte-americanos a ideia de que essas medidas são arbitrárias e podem surgir sem justificativas claras.

O professor reforça que, com a continuidade da hostilidade comercial, os países poderão buscar relações pautadas em suas moedas nacionais, afastando-se do dólar como referência. Essa mudança pode significar que o papel da moeda americana se transforme em um passivo que fragiliza as relações comerciais e econômicas internacionais.

No caso específico do Brasil, o efeito pode ser paradoxal: se o intuito era pressionar o governo brasileiro, as tarifas acabam gerando uma reação nacionalista. Essa postura fortalece os críticos à política americana e contribui para o debate interno, principalmente entre os setores que apoiam posturas mais conservadoras em relação a Trump.

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