O Brasil reduziu em 80% o número de crianças sem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida, passando de 255 mil para 50 mil entre 2024 e 2025. O dado integra o relatório de Estimativa de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC) da OMS e do Unicef, divulgado em julho de 2026. O país foi apontado como um dos principais destaques globais na recuperação da cobertura vacinal infantil.
O que significa essa conquista?
A queda expressiva no número de crianças sem nenhuma imunização reflete o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o trabalho diário das equipes de saúde em todo o território nacional. O Brasil conta com cerca de 38 mil salas de vacinação, distribuídas por todos os estados e municípios, a maioria delas coordenada por enfermeiros.
Para a coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança do Cofen (CTESNC), Ivone Amazonas, a conquista reforça o impacto concreto da enfermagem na proteção da infância: o enfermeiro organiza as salas de vacinação, garante a qualidade dos imunobiológicos, orienta as famílias, combate a desinformação e promove a busca ativa de crianças que ainda não completaram o calendário.
Vacinação incompleta ainda é um risco
Apesar dos avanços, especialistas alertam: iniciar o esquema vacinal não é suficiente. Para ser considerada imunizada, a criança precisa completar todas as doses recomendadas de cada vacina, incluindo os reforços quando indicados. A interrupção do calendário mantém crianças vulneráveis a doenças imunopreveníveis, como o sarampo.
O relatório usa como referência a tríplice bacteriana (DTP), aplicada em três doses. No Brasil, ela é oferecida como a vacina pentavalente, que protege também contra hepatite B e haemophilus influenza tipo b. Os efeitos adversos mais comuns são leves: dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção, com eventual febre. Reações graves são raríssimas, segundo o CDC e a OMS.
O cenário global da vacinação infantil
No mundo, ainda há um longo caminho a percorrer. Em 2025, 13,5 milhões de crianças continuaram sem receber qualquer vacina no primeiro ano de vida — uma redução de cerca de 750 mil em relação a 2024, mas ainda longe da meta internacional.
O relatório indica que 89% das crianças no mundo receberam pelo menos uma dose da DTP, mas apenas 85% completaram o esquema com as três doses. Conflitos armados, crises humanitárias, deslocamentos forçados e desigualdades socioeconômicas continuam sendo as principais barreiras ao acesso à imunização em diversas regiões.
A situação do sarampo
A cobertura contra o sarampo permanece crítica globalmente. Em 2025, 84% das crianças receberam a primeira dose e 76% a segunda — abaixo dos 95% necessários para a imunidade de rebanho, que previne surtos. No ano passado, 60 países registraram epidemias de sarampo, segundo dados OMS/Unicef.
O Brasil recuperou em 2024 o certificado de zona livre de sarampo pela OMS — status que havia conquistado em 2016, perdido em 2019 após a queda na cobertura vacinal associada ao movimento antivacinação. A manutenção da certificação exige vigilância permanente, especialmente diante do cenário global preocupante.
Por que vacinar é uma responsabilidade coletiva?
Vacinar uma criança não protege apenas ela individualmente — protege também quem não pode ser vacinado, como recém-nascidos, idosos e pessoas imunocomprometidas. Quando a cobertura vacinal cai abaixo do nível crítico, o vírus ou a bactéria volta a circular e pode atingir justamente os mais vulneráveis.
O calendário vacinal brasileiro é gratuito, completo e disponível em todas as unidades de saúde do SUS. Manter a caderneta atualizada é um ato de cuidado com o próprio filho e com a comunidade.
Perguntas frequentes
Por que o Brasil se destacou no relatório da OMS e Unicef?
Porque reduziu em 80% o número de crianças sem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida entre 2024 e 2025, passando de 255 mil para 50 mil — um dos maiores avanços registrados no período.
O que é a vacina pentavalente?
É a versão brasileira da tríplice bacteriana (DTP), que também protege contra hepatite B e haemophilus influenza tipo b. É aplicada em três doses no primeiro ano de vida e tem segurança comprovada por órgãos como OMS e CDC.
Uma dose é suficiente para proteger a criança?
Não. Para ser considerada imunizada, a criança precisa completar todas as doses e reforços recomendados no calendário vacinal. Interromper o esquema deixa a criança vulnerável mesmo que tenha tomado a primeira dose.
Onde vacinar meu filho gratuitamente?
Em qualquer unidade básica de saúde (UBS) do SUS. O Brasil tem cerca de 38 mil salas de vacinação distribuídas por todo o território nacional.
Conclusão
A redução de 80% no número de crianças sem nenhuma dose de vacina é uma das melhores notícias da saúde pública brasileira em 2026. Ela evidencia o poder do Programa Nacional de Imunizações e o trabalho essencial das equipes de enfermagem. Mas o desafio de completar o esquema vacinal e manter a cobertura acima dos 95% permanece — e depende do engajamento de toda a sociedade.



