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Brasil pode ganhar mais com terras raras? Goiás atrai bilhões para mineral estratégico.

O Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo, mas ainda transforma pouco desse potencial mineral em produtos de alto valor agregado.

Goiás está tentando mudar essa realidade.

O estado reúne alguns dos projetos de terras raras mais avançados do país, incluindo produção comercial em Minaçu e novos empreendimentos em Nova Roma e Iporá. Para 2026, o Ministério de Minas e Energia relaciona cerca de R$ 4,6 bilhões em investimentos em projetos de terras raras em Goiás.

O interesse internacional também aumentou. Em março de 2026, Goiás e Estados Unidos assinaram um acordo de cooperação voltado a minerais críticos, com foco não apenas na extração, mas também em processamento e fabricação de produtos de maior valor.

A questão econômica é justamente essa: o Brasil ganhará mais apenas extraindo o mineral ou conseguirá transformar terras raras em ímãs, componentes e tecnologia dentro do país?

O que são terras raras?

Terras raras são um grupo de elementos químicos com características importantes para produtos de alta tecnologia.

Apesar do nome, muitos desses elementos não são necessariamente raríssimos na natureza.

O problema está em encontrá-los em concentrações economicamente aproveitáveis e, principalmente, conseguir separá-los e processá-los de maneira competitiva.

Entre os elementos mais conhecidos estão:

  • neodímio;
  • praseodímio;
  • disprósio;
  • térbio;
  • lantânio;
  • cério.

Eles possuem aplicações estratégicas em diferentes setores da economia.

Onde essas terras raras são utilizadas?

Um dos maiores mercados está nos ímãs permanentes de alta potência.

Esses componentes são encontrados em:

  • motores de veículos elétricos;
  • turbinas eólicas;
  • robôs;
  • equipamentos eletrônicos;
  • equipamentos militares;
  • drones;
  • máquinas industriais;
  • discos rígidos;
  • sistemas de automação.

Neodímio e praseodímio, por exemplo, são importantes para produzir ímãs extremamente potentes em tamanho relativamente pequeno.

Disprósio e térbio podem ser utilizados para melhorar o desempenho desses ímãs em temperaturas elevadas.

Por isso, terras raras passaram de um assunto quase restrito à mineração para uma questão de tecnologia, indústria e segurança econômica.

Quanto o Brasil possui?

O Brasil possui cerca de 22 milhões de toneladas de reservas lavráveis de óxidos de terras raras, ficando atrás apenas da China, segundo informações citadas pelo governo de Goiás.

O tamanho da reserva coloca o país em uma posição estratégica.

Mas possuir mineral no subsolo não significa automaticamente dominar esse mercado.

A etapa mais valiosa está muitas vezes depois da mineração.

É necessário separar os elementos, refinar o material e transformá-lo em produtos industriais.

Por que Goiás virou destaque?

Goiás atualmente concentra alguns dos projetos mais avançados do país.

Em Minaçu funciona a operação da Serra Verde, responsável pela única produção comercial em larga escala de terras raras atualmente em operação no Brasil, segundo o governo estadual. A capacidade informada chega a aproximadamente 5 mil toneladas anuais de óxidos contendo elementos como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio.

A empresa iniciou sua produção comercial em janeiro de 2024. Atualmente emprega aproximadamente 400 pessoas em Minaçu, sendo cerca de 70% da força de trabalho formada por moradores locais.

Esse tipo de operação mostra que o Brasil já começou a sair da fase puramente potencial.

Nova Roma pode receber US$ 680 milhões

Outro projeto relevante está localizado em Nova Roma, também em Goiás.

O Projeto Carina, da Aclara Resources, prevê investimento de aproximadamente US$ 680 milhões, segundo o governo estadual.

O empreendimento está relacionado ao aproveitamento de depósitos de argilas iônicas, uma fonte particularmente interessante de terras raras.

Em outra divulgação estadual, o investimento previsto para a operação em Nova Roma foi estimado em cerca de R$ 2,8 bilhões, com potencial de gerar milhares de empregos ao longo de sua implantação.

Goiás pode receber R$ 4,6 bilhões no setor

No levantamento de empreendimentos do Ministério de Minas e Energia para 2026, os projetos de terras raras em Goiás aparecem associados a aproximadamente R$ 4,6 bilhões em investimentos.

O número mostra que a mineração de minerais críticos deixou de ser apenas uma possibilidade de longo prazo.

Ela começa a representar capital real aplicado em:

minas + processamento + infraestrutura + tecnologia.

E esse movimento pode aumentar caso o Brasil avance para etapas mais sofisticadas da cadeia.

Por que apenas extrair não é suficiente?

Imagine que o Brasil retire uma tonelada de mineral do solo e venda esse material pouco processado.

Outro país compra, separa os elementos, transforma em metal, fabrica uma liga e depois produz um ímã de alto desempenho.

O produto final pode valer muito mais.

Nesse caso, a maior parcela do valor econômico fica fora do Brasil.

Esse é justamente um dos desafios atuais.

Em Goiás, parte da produção de terras raras ainda é enviada para processamento no exterior. O governo estadual afirma que a matéria-prima produzida pela Serra Verde segue para a China, que domina grande parte da capacidade mundial de processamento.

O Brasil quer produzir ímãs aqui

A estratégia defendida pelo governo de Goiás é levar mais etapas da cadeia para dentro do estado.

O objetivo inclui desenvolver capacidade para:

  • separar terras raras;
  • produzir metais;
  • fabricar ligas;
  • produzir ímãs permanentes.

O acordo firmado com os Estados Unidos em março inclui justamente cooperação para pesquisa, capacitação e desenvolvimento de estruturas industriais com maior valor agregado.

Se isso acontecer, Goiás poderá deixar de ser apenas uma região de mineração para se tornar também um polo industrial especializado.

Quanto custaria uma grande planta brasileira de processamento?

Um estudo coordenado pelo Ministério de Minas e Energia com o Cebri estimou que uma planta brasileira capaz de processar cerca de 25 mil toneladas anuais de óxidos de terras raras exigiria investimento inicial próximo de US$ 1,65 bilhão.

Essa é uma cifra importante.

Ela mostra que entrar nas etapas mais sofisticadas da cadeia exige muito mais capital do que simplesmente abrir uma mina.

Também exige:

  • tecnologia;
  • energia;
  • infraestrutura;
  • profissionais especializados;
  • conhecimento químico;
  • contratos de longo prazo.

Por que a China domina esse mercado?

A China não se tornou dominante apenas porque possui reservas.

O país construiu ao longo de décadas uma cadeia completa envolvendo mineração, separação, refino, fabricação de metais e produção de ímãs.

Segundo informações do governo goiano, a China concentra mais de 90% de determinadas etapas da produção global associada à cadeia de terras raras.

É justamente essa concentração que Estados Unidos, Europa e outros países tentam reduzir.

Eles querem fornecedores alternativos.

E o Brasil aparece como um dos candidatos.

Por que os Estados Unidos estão interessados em Goiás?

Os Estados Unidos dependem de terras raras para setores como:

  • veículos elétricos;
  • defesa;
  • geração de energia;
  • eletrônicos;
  • inteligência artificial;
  • automação;
  • indústria aeroespacial.

Ter uma cadeia concentrada em poucos países aumenta o risco de interrupções.

Por isso, o acordo assinado com Goiás busca ampliar cooperação científica e econômica e facilitar investimentos relacionados aos minerais críticos.

Para Goiás, esse interesse pode significar capital, tecnologia e novos compradores.

Serra Verde também ganhou parceiro americano

Outro movimento importante ocorreu envolvendo a Serra Verde.

A empresa fechou acordo com a americana USA Rare Earth para combinar operações e desenvolver uma cadeia integrada envolvendo desde mineração até processamento, metais e ímãs.

A proposta é justamente diminuir a dependência de cadeias asiáticas.

Isso pode aumentar a importância internacional da produção brasileira.

Isso pode gerar empregos melhores?

Esse é um dos maiores potenciais econômicos.

Uma mina gera empregos.

Mas uma cadeia industrial completa pode criar profissões adicionais em:

  • química;
  • engenharia;
  • metalurgia;
  • automação;
  • logística;
  • pesquisa;
  • fabricação;
  • controle de qualidade;
  • tecnologia.

Quanto mais etapas forem realizadas dentro do Brasil, maior tende a ser o valor econômico capturado pelo país.

Essa é a diferença entre exportar uma matéria-prima e exportar tecnologia incorporada ao produto.

Terras raras podem ajudar a indústria de carros elétricos?

Sim.

Motores elétricos de alto desempenho frequentemente utilizam ímãs permanentes feitos com terras raras.

Se o Brasil conseguir produzir esses componentes internamente, poderá aproximar duas cadeias estratégicas:

mineração de terras raras + indústria automotiva eletrificada.

Isso poderia ser particularmente interessante diante da expansão da produção de veículos elétricos e híbridos no país.

Energia eólica também precisa desses materiais

Algumas turbinas eólicas utilizam geradores equipados com ímãs permanentes.

Esses equipamentos precisam manter desempenho elevado durante anos.

Terras raras ajudam a produzir ímãs fortes e relativamente leves.

Isso cria uma conexão direta entre minerais críticos e transição energética.

Quanto mais o mundo instala turbinas, carros elétricos e equipamentos eletrônicos, maior pode se tornar a demanda por determinados elementos.

O Brasil pode virar uma alternativa à China?

Tem potencial, mas ainda existe uma distância considerável.

Reservas minerais são apenas o começo.

Para competir internacionalmente, o Brasil precisaria construir:

mineração → separação → refino → metais → ligas → ímãs → produtos tecnológicos.

Hoje, vários desses elos ainda precisam ser desenvolvidos.

O próprio estudo apoiado pelo MME destaca que ampliar separação e refino é essencial para transformar o potencial brasileiro em desenvolvimento industrial.

Existem riscos ambientais?

Sim.

Mineração e processamento de terras raras podem gerar impactos ambientais se forem mal conduzidos.

Os principais desafios podem envolver:

  • consumo de água;
  • resíduos;
  • produtos químicos;
  • movimentação de solo;
  • rejeitos;
  • recuperação das áreas mineradas.

Por isso, transformar o Brasil em fornecedor mundial não depende apenas de quantidade.

A competitividade também passa por produzir seguindo padrões ambientais adequados.

Mais mineração significa automaticamente mais riqueza?

Não.

Existe uma diferença enorme entre extrair mineral e construir uma indústria.

Um país pode possuir grandes reservas e ainda capturar uma parcela pequena do valor final.

Para o Brasil ganhar mais, precisa desenvolver atividades que vêm depois da mineração.

Um exemplo simples:

mineral → óxido separado → metal → liga → ímã → motor elétrico.

A cada etapa, tecnologia e valor são adicionados.

Quanto mais perto do produto final o país chegar, maior pode ser o retorno econômico.

Goiás criou regras específicas para o setor

O estado também começou a estruturar políticas específicas para minerais críticos.

Em 2026, Goiás regulamentou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos e criou mecanismos envolvendo zonas especiais e um fundo estadual voltado ao desenvolvimento do setor.

A intenção é atrair empresas não apenas para extrair minerais, mas para industrializá-los dentro do estado.

Esse é um ponto importante porque a disputa mundial está justamente na capacidade industrial.

Por que terras raras podem virar um grande negócio brasileiro?

O Brasil combina três vantagens:

grandes reservas + projetos em desenvolvimento + procura internacional crescente.

Mas existe uma quarta peça que ainda precisa avançar:

processamento industrial.

É nela que grande parte do valor está concentrada.

Se o país conseguir produzir óxidos separados, metais, ligas e ímãs, poderá fornecer componentes para setores muito maiores do que a mineração.

Conclusão: o verdadeiro ouro está depois da mina

As terras raras no Brasil podem transformar Goiás em um dos principais polos de minerais estratégicos do país.

O estado já possui produção comercial em Minaçu, um projeto de cerca de US$ 680 milhões em Nova Roma e aproximadamente R$ 4,6 bilhões em investimentos associados a terras raras listados pelo MME para 2026.

Ao mesmo tempo, um estudo nacional estima que uma grande planta brasileira de processamento exigiria aproximadamente US$ 1,65 bilhão.

Esses números mostram a dimensão da oportunidade.

Mas o maior desafio do Brasil não é simplesmente tirar terras raras do chão.

É conseguir transformar esses minerais em metais, ligas, ímãs, motores e produtos de tecnologia dentro do próprio país.

Se isso acontecer, o Brasil deixa de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passa a disputar uma parcela muito mais valiosa da cadeia tecnológica mundial.


Perguntas frequentes

O Brasil tem muitas terras raras?

Sim. O país possui cerca de 22 milhões de toneladas de reservas lavráveis de óxidos de terras raras, segundo dados citados pelo governo goiano.

Quanto Goiás está recebendo em investimentos?

O levantamento de projetos do MME para 2026 indica aproximadamente R$ 4,6 bilhões em investimentos relacionados a terras raras no estado.

Quanto custa o projeto de Nova Roma?

O Projeto Carina prevê aproximadamente US$ 680 milhões em investimentos.

Para que servem terras raras?

Elas são importantes para ímãs, motores elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, robôs, equipamentos industriais e tecnologias de defesa.

O Brasil já produz terras raras?

Sim. A Serra Verde, em Minaçu, possui produção comercial em larga escala e capacidade informada de até cerca de 5 mil toneladas anuais.

Por que processar no Brasil é importante?

Porque separação, refino, produção de metais, ligas e ímãs adicionam muito mais valor econômico do que simplesmente exportar matéria-prima.

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