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Lixo eletrônico virou mina de ouro: quanto metal existe dentro dos aparelhos antigos?

Aquele celular quebrado esquecido na gaveta pode parecer não valer praticamente nada. Mas, quando milhões de aparelhos são reunidos, eles formam uma verdadeira mina urbana de metais.

O lixo eletrônico contém cobre, alumínio, ouro, prata, cobalto, níquel e diversos outros materiais que podem ser recuperados e utilizados novamente pela indústria.

O problema é que uma enorme quantidade desses recursos continua sendo desperdiçada.

Segundo o Global E-waste Monitor, produzido pela UIT e UNITAR, o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022. Apenas 22,3% desse volume foi documentado como formalmente coletado e reciclado de maneira ambientalmente adequada.

E dentro dessa montanha de aparelhos havia nada menos que 31 milhões de toneladas de metais.

Quanto metal existe no lixo eletrônico?

Os 62 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos gerados globalmente em 2022 continham aproximadamente:

MaterialQuantidade estimada
Metais31 milhões de toneladas
Plásticos17 milhões de toneladas
Outros materiais14 milhões de toneladas

Ou seja: aproximadamente metade da massa do lixo eletrônico mundial daquele ano era composta por metais.

Mas não estamos falando apenas de ferro ou alumínio.

Equipamentos eletrônicos também utilizam metais preciosos e estratégicos em pequenas quantidades.

É aí que o lixo começa a ganhar valor.

Tem ouro dentro de um celular?

Sim.

O ouro é utilizado principalmente em componentes eletrônicos por possuir características importantes, como boa condutividade elétrica e resistência à corrosão.

Mas não espere abrir seu celular antigo e encontrar uma pequena barra dourada.

A quantidade presente em um único aparelho é muito pequena.

O valor aparece quando milhares ou milhões de equipamentos são processados industrialmente.

Um estudo publicado em 2025 analisou 850 celulares produzidos entre 2000 e 2020. Os pesquisadores encontraram aproximadamente 278 gramas de metais por quilo dos corpos dos aparelhos analisados.

Entre os 14 metais estudados estavam:

  • ouro;
  • prata;
  • cobre;
  • alumínio;
  • ferro;
  • zinco;
  • níquel;
  • cobalto;
  • lítio;
  • platina;
  • paládio.

O estudo estimou que os metais presentes em cada quilo analisado tinham valor de aproximadamente US$ 13,41, sendo cerca de US$ 10,97 atribuídos ao ouro.

Isso ajuda a explicar por que a recuperação de metais preciosos desperta tanto interesse.

Quanto ouro existe em uma tonelada de celulares?

Não existe um número único.

A composição muda conforme fabricante, modelo, época de fabricação e quais partes do aparelho estão sendo consideradas.

Um estudo anterior sobre recuperação de materiais estimou que uma tonelada de celulares usados poderia conter aproximadamente 347 gramas de ouro, além de cerca de:

  • 128 kg de cobre;
  • 3,63 kg de prata;
  • 150 g de paládio;
  • 15 kg de níquel;
  • 10 kg de estanho.

Os números são estimativas de uma amostra e não devem ser aplicados automaticamente a todo smartphone moderno, mas ajudam a mostrar a concentração de materiais que pode existir nesse tipo de resíduo.

É daí que vem a expressão mineração urbana.

Em vez de procurar determinados metais apenas em minas, também é possível recuperá-los de produtos que já foram fabricados e descartados.

Quanto vale todo esse metal?

Em escala global, estamos falando de bilhões.

A UIT estima que os metais presentes no lixo eletrônico gerado em 2022 representavam cerca de US$ 91 bilhões em valor.

Desse total, aproximadamente:

US$ 19 bilhões estavam associados ao cobre;

US$ 15 bilhões, ao ouro;

US$ 16 bilhões, ao ferro.

Isso não significa que todo esse dinheiro poderia simplesmente ser obtido recolhendo aparelhos.

Separar e recuperar os materiais também possui custos.

É necessário coletar, transportar, desmontar, separar e processar os equipamentos.

Mesmo assim, os números mostram por que aparelhos descartados são cada vez mais vistos como fontes secundárias de matérias-primas.

Por que existe ouro em eletrônicos?

O ouro possui propriedades extremamente úteis para componentes eletrônicos.

Ele é um excelente condutor e possui elevada resistência à corrosão.

Por isso, pequenas quantidades podem aparecer em:

  • placas eletrônicas;
  • conectores;
  • contatos;
  • circuitos;
  • determinados componentes internos.

O cobre também aparece em grande quantidade devido à sua excelente condutividade.

Já baterias podem conter materiais como lítio, cobalto e níquel, dependendo da tecnologia utilizada.

Um smartphone, portanto, reúne materiais provenientes de diferentes cadeias de mineração dentro de um objeto que cabe no bolso.

Vale a pena retirar o ouro do celular em casa?

Não.

A recuperação profissional de metais pode envolver processos mecânicos, térmicos e químicos que exigem equipamentos, controle ambiental e conhecimento especializado.

Tentar desmontar, queimar ou utilizar produtos químicos para extrair metais em casa pode provocar:

  • intoxicações;
  • queimaduras;
  • incêndios;
  • contaminação do solo;
  • contaminação da água;
  • exposição a substâncias perigosas.

O SINIR alerta que resíduos eletrônicos manipulados ou descartados inadequadamente podem provocar contaminação por metais pesados, além de riscos de incêndio e intoxicação.

A solução é encaminhar os equipamentos para sistemas adequados de coleta.

O que acontece com um celular depois da reciclagem?

O processo começa pela coleta.

No Brasil, celulares, computadores e outros eletrônicos podem ser entregues em pontos destinados à logística reversa.

Depois, os equipamentos passam por uma triagem.

Aquilo que ainda funciona pode ser reutilizado ou recondicionado.

O restante pode seguir para processamento e desmontagem.

Materiais como:

metais → plásticos → vidro → componentes eletrônicos

são separados e encaminhados para processos apropriados.

Parte deles pode voltar à indústria como matéria-prima para novos produtos. O Ministério das Comunicações reforçou em julho de 2026 que equipamentos descartados podem seguir justamente para reutilização, recondicionamento ou reciclagem por meio da logística reversa.

Por que reciclamos tão pouco?

Esse é um dos maiores problemas.

Enquanto a quantidade de aparelhos vendidos aumenta, a coleta não acompanha o mesmo ritmo.

Em 2022, o mundo gerou 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico, mas apenas cerca de 13,8 milhões de toneladas foram documentadas como formalmente coletadas e recicladas de maneira adequada.

Existem vários motivos:

  • aparelhos esquecidos em gavetas;
  • descarte no lixo comum;
  • falta de informação;
  • coleta informal;
  • dificuldade logística;
  • custo do processamento;
  • ausência de infraestrutura em determinadas regiões.

E o volume continua crescendo.

A projeção do Global E-waste Monitor indica que o lixo eletrônico mundial pode chegar a 82 milhões de toneladas em 2030 se a trajetória atual continuar.

E o Brasil?

O Brasil possui regras de logística reversa para produtos eletroeletrônicos de uso doméstico.

O sistema prevê que o consumidor entregue o equipamento em pontos de recebimento e que a cadeia empresarial cuide das etapas seguintes de armazenamento, transporte, tratamento e destinação adequada.

Em 2026, o Ministério do Meio Ambiente manteve metas de logística reversa para eletrônicos enquanto ocorre a revisão do plano de metas até 2030. Segundo o governo, a intenção também é fomentar a indústria da reciclagem e gerar emprego e renda com o reaproveitamento de materiais.

O SINIR mantém uma página específica sobre logística reversa de eletroeletrônicos, inclusive direcionando consumidores para sistemas que permitem localizar pontos de coleta.

Seu celular velho pode valer dinheiro?

Depende principalmente das condições do aparelho.

Se ainda funciona, geralmente existe mais valor em reutilizá-lo ou revendê-lo do que simplesmente transformá-lo em matéria-prima.

Um aparelho pode:

ser vendido → recondicionado → ter peças reaproveitadas → ser reciclado.

A reciclagem costuma entrar nas etapas finais, quando continuar utilizando o produto deixa de fazer sentido.

E isso explica por que empresas estão cada vez mais interessadas em programas de recompra, trade-in e logística reversa.

Não é apenas uma questão ambiental.

Existe valor econômico dentro dos equipamentos.

A mineração do futuro também pode acontecer nas cidades

À medida que milhões de toneladas de eletrônicos se acumulam, as cidades passam a concentrar grandes quantidades de materiais que originalmente vieram da mineração.

É a chamada mineração urbana.

Um prédio cheio de computadores antigos, um depósito de smartphones ou milhares de placas eletrônicas podem concentrar cobre e metais preciosos que podem voltar para a indústria.

Isso não eliminará a mineração tradicional.

Mas recuperar materiais que já foram extraídos pode reduzir desperdícios e diminuir parte da necessidade de extrair novos recursos.

Conclusão: seu eletrônico velho não é apenas lixo

Um celular antigo pode parecer praticamente sem valor quando está quebrado dentro de uma gaveta.

Em escala industrial, a história é diferente.

Milhões de celulares, notebooks, televisores e outros aparelhos representam toneladas de cobre, alumínio, ouro, prata e outros materiais que podem retornar à economia.

O mundo já produz dezenas de milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, enquanto menos de um quarto desse volume teve reciclagem formalmente documentada em 2022.

Por isso, o maior desafio talvez não seja descobrir se existe ouro nos aparelhos antigos.

É impedir que todo esse valor termine no lixo.

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