“Dizem que ideias não dão dinheiro, dizem que ideias não pagam as contas.” A provocação abre a história de um publicitário que construiu sua trajetória justamente provando o contrário. Esta é a jornada de Alex Nastácio, fundador da Nova Comunicação, agência que se tornou referência no mercado piauiense e conquistou projeção nacional.
A trajetória começa cedo. Aos 14 anos, por orientação da escola, Alex foi encaminhado para um estágio em uma gráfica onde seu pai trabalhava. A experiência, mesmo sem remuneração, moldou sua disciplina profissional.
“Estagiei nessa gráfica por mais ou menos oito a nove meses, com 14 para 15 anos, sem ganhar absolutamente nada, aprendendo, entendendo o que era, cumprindo rotina de horário como qualquer outro funcionário”, relembra.
Para ele, o estágio foi decisivo na formação de caráter e mentalidade profissional. “Se o jovem de hoje entendesse o quanto é importante estagiar, independente de ganho, porque ele precisa aprender, adquirir experiência, estar inserido dentro de uma empresa.” A vivência em gráficas como a Laserchrom e a Marprint o levou, aos 16 anos, ao primeiro registro em carteira assinada, em dezembro de 1994.
Apesar do início na produção gráfica, o contato constante com agências despertou outro desejo. Ele queria estar do lado da criação. “Eu não quero só receber o arquivo da agência e dar saída. Eu quero agora começar a criar o arquivo e mandar para alguém de gráfica. Eu quero ser a outra ponta.”
A experiência em São Paulo consolidou essa ambição. Alex passou por grandes estruturas, como a Talent, uma das agências mais importantes do país à época, onde integrou a Triadecom, braço digital da empresa quando o mercado digital ainda engatinhava.
Foi nesse momento que decidiu voltar ao Piauí. A escolha surpreendeu colegas. “Mas Alex, você vai para Teresina? Lá não deve ter nem rua asfaltada.” O comentário, marcado por preconceito regional, reforçou sua convicção. “É bom você ter essa ideia de que lá não tem nada, porque aí é a oportunidade para que eu possa fazer alguma coisa.”
Ao analisar o cenário local, ele identificou potencial de crescimento. “Teresina estava em uma expansão muito grande. Muita gente boa, muita marca boa. Um mercado consumidor local dependente de serviço e precisando profissionalizar posicionamento, marca, conceito, diferenciação dos seus concorrentes. E ali que eu vi uma oportunidade.”

Assim nasceu a Nova Comunicação. Em uma sala pequena e simples, começou o projeto que transformaria o mercado local. “Abrimos a Nova Comunicação em uma sala pequena, era uma sala que tinha muita poeira, era o que nós podíamos pagar naquela ocasião.”
Sem carteira de clientes, a estratégia foi direta: prospecção porta a porta. “Ficamos batendo de porta em porta aqui em Teresina, oferecendo nossos serviços sem cobrar absolutamente nada. Queríamos que as pessoas nos dessem oportunidade.” A proposta era clara: criar campanhas, jingles ou materiais sem custo inicial. “Se você gostasse e desse resultado, você pagava.”
A virada aconteceu em 2003, quando a agência conquistou a conta do Grupo Durreino, então o maior anunciante privado do estado. O desafio era reposicionar um produto após reformulação de embalagem e fragrância. A campanha deu resultado e projetou a Nova no mercado.
“Pegamos esse cliente que na época foi o nosso primeiro grande cliente. E naquele ano foi o maior anunciante do setor privado do estado. Isso fez com que a Nova, com o dinheiro que ganhou, contratasse gente, equipasse a agência e, acima de tudo, fosse conhecida rapidamente no mercado pela campanha que estava no ar.”
O que começou como o sonho de um estagiário determinado tornou-se uma agência consolidada, com quase duas décadas de atuação. A história de Alex Nastácio mostra que ideias, quando combinadas com disciplina, visão estratégica e coragem para assumir riscos, não apenas pagam contas, mas constroem legados.
Assista o vídeo completo da entrevista com Alex.
Produção do vídeo: Luan Campos



