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Alimentos ficaram mais baratos em agosto, mas nem tudo caiu no supermercado.

Ir ao supermercado em agosto ficou um pouco menos pesado para o bolso, pelo menos na média nacional. O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,34% no IPCA, segundo o IBGE, contribuindo para a deflação de 0,32% registrada no mês. Foi a terceira queda consecutiva dos alimentos.

A redução, porém, não significa que todos os produtos ficaram mais baratos. Alguns itens tiveram quedas expressivas, enquanto outros continuaram pressionando o orçamento das famílias.

O que ficou mais barato?

Entre os alimentos com maiores quedas em agosto, o destaque foi a batata-inglesa, que caiu 19,89%.

Também recuaram:

  • cenoura: -11,22%
  • cebola: -11,07%
  • tomate: -10,94%
  • ovo de galinha: -4,15%
  • café moído: -1,86%

Essas reduções ajudaram a puxar para baixo o custo da alimentação no mês.

A queda também apareceu na cesta básica. Levantamento do Dieese e da Conab mostrou que o custo da cesta caiu em 25 das 27 capitais pesquisadas em agosto. Batata, tomate, café e feijão estiveram entre os produtos que mais ajudaram nesse movimento.

Por que legumes e verduras caíram tanto?

Produtos como batata, tomate, cebola e cenoura são muito sensíveis às condições de oferta.

Quando a colheita aumenta e mais produto chega ao mercado ao mesmo tempo, o preço tende a cair. Questões climáticas, período de safra, qualidade da produção e custos de transporte também podem fazer os valores variarem rapidamente.

É por isso que alimentos frescos podem subir muito em determinado mês e despencar logo depois.

Para o consumidor, essas oscilações criam uma oportunidade: substituir produtos mais caros pelos que estão em período de maior oferta pode reduzir bastante o valor da compra.

Mas por que a sensação de supermercado caro continua?

Mesmo com uma queda mensal de 0,34%, isso não significa que os preços voltaram aos níveis de alguns anos atrás.

O IPCA mede a variação de um mês para o outro. Se um produto subiu muito anteriormente e agora caiu um pouco, ele ainda pode continuar caro.

Além disso, os alimentos têm um peso muito grande no orçamento. Segundo o IBGE, Alimentação e bebidas representa cerca de 21,5% da cesta de consumo considerada no IPCA.

Por isso, pequenas altas em produtos consumidos frequentemente podem anular, na percepção da família, a queda de outros itens.

A cesta básica caiu em quase todo o país

O levantamento da cesta básica reforça essa diferença entre médias nacionais e realidade local.

Em agosto, o custo caiu em 25 capitais, mas subiu em Maceió, 1,43%, e São Luís, 0,78%.

As maiores reduções foram registradas em:

  • Rio Branco: -4,68%
  • Manaus: -4,55%
  • Boa Vista: -4,47%
  • Aracaju: -3,89%
  • Cuiabá: -3,37%
  • Salvador: -3,30%

Ou seja, dizer que “os alimentos ficaram mais baratos” é correto na média, mas o impacto varia bastante conforme a cidade e o que cada família costuma comprar.

O que ficou mais caro na cesta básica?

No levantamento do Dieese e da Conab, alguns produtos subiram na maior parte das capitais, entre eles pão francês, óleo de soja, leite integral e arroz agulhinha.

Esse é justamente o ponto que explica por que algumas famílias podem não perceber a queda geral.

Quem compra muitos produtos que continuaram subindo pode ter terminado agosto gastando o mesmo ou até mais.

Quanto custa a cesta básica hoje?

São Paulo manteve a cesta mais cara entre as capitais pesquisadas, com valor médio de R$ 900,59.

Na sequência apareceram:

Cuiabá, com R$ 851,57; Rio de Janeiro, com R$ 851,19; e Florianópolis, com R$ 850,90.

Entre os menores valores estavam Aracaju, com R$ 570,98, Natal, com R$ 627,42, Maceió, com R$ 627,45, e Salvador, com R$ 628,89.

O que isso muda para o consumidor?

Para quem compra alimentos toda semana, o melhor cenário é quando itens básicos caem de forma contínua, e não apenas durante um mês.

A queda de agosto é positiva porque ajuda a aliviar a inflação e libera uma pequena parte da renda das famílias para outras despesas.

Mas o consumidor ainda precisa acompanhar produto por produto.

Uma estratégia simples é observar frutas, legumes e verduras da estação, comparar preços entre mercados e substituir temporariamente itens que estejam em forte alta.

Os alimentos podem continuar caindo?

Podem, mas não há garantia.

A inflação dos alimentos depende de fatores como clima, produção agrícola, câmbio, preço dos combustíveis, logística e exportações.

Uma seca forte, excesso de chuva ou aumento nos custos de transporte pode reverter rapidamente parte das quedas.

Por outro lado, boas safras e maior oferta podem continuar pressionando os preços para baixo.

O dado de agosto, portanto, é positivo: a alimentação caiu pelo terceiro mês seguido. Mas para saber se o alívio chegou de verdade ao bolso, é preciso olhar além da média e observar principalmente os produtos que fazem parte da compra de cada família.

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