Uma área de 4,6 milhões de metros quadrados, investimento de R$ 5,5 bilhões e capacidade planejada para produzir centenas de milhares de veículos por ano.
Esses são alguns dos números do complexo industrial da BYD em Camaçari, na Bahia, que se tornou uma das maiores apostas da montadora chinesa fora de seu país de origem.
Para dimensionar o tamanho do terreno, a própria empresa compara a área a aproximadamente 645 campos de futebol.
Mas o projeto não chama atenção apenas pelo tamanho físico.
A fábrica representa uma mudança importante na estratégia da BYD no Brasil: a empresa está deixando de depender apenas de veículos importados e avançando para uma operação com produção local, fornecedores brasileiros e etapas industriais cada vez mais nacionalizadas.
Quanto mede a fábrica da BYD em Camaçari?
O complexo possui aproximadamente 4,6 milhões de metros quadrados.
É uma área tão grande que poderia acomodar centenas de campos de futebol.
O local pertenceu anteriormente a outra montadora e está sendo transformado em um complexo voltado principalmente à produção de veículos elétricos e híbridos. A BYD adquiriu a área por cerca de R$ 287,8 milhões e iniciou um amplo processo de instalação e modernização industrial.
A primeira etapa das obras inclui dezenas de instalações, como galpões industriais, áreas produtivas e pista de testes.
Quanto a BYD está investindo na Bahia?
O investimento anunciado pela empresa é de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
O dinheiro é destinado não apenas à linha de montagem.
O projeto envolve estruturas de:
- produção;
- estamparia;
- soldagem;
- pintura;
- testes;
- logística;
- desenvolvimento de fornecedores.
A intenção é transformar Camaçari em um polo automotivo integrado, capaz de realizar cada vez mais etapas da produção dentro do próprio país.
Quanto a fábrica pode produzir?
A capacidade inicial anunciada é de aproximadamente 150 mil veículos por ano.
Em uma segunda fase, o plano é chegar a 300 mil unidades anuais.
Isso significa, em capacidade plena, uma média potencial superior a:
800 veículos produzidos por dia, considerando todos os dias do ano.
Naturalmente, capacidade instalada não significa que a fábrica necessariamente produzirá esse número desde o início.
O volume real depende de demanda, turnos de trabalho, fornecedores e ritmo de nacionalização.
A BYD já está produzindo carros no Brasil?
Sim.
O primeiro BYD Dolphin Mini 100% elétrico produzido no Brasil saiu da linha de Camaçari em julho de 2025.
A operação começou utilizando o sistema conhecido como SKD, ou Semi Knocked-Down.
Nesse modelo, partes do veículo chegam previamente produzidas e são montadas no Brasil.
Isso permite iniciar a produção mais rapidamente enquanto a infraestrutura necessária para uma fabricação mais completa é instalada.
O que muda quando a produção é nacionalizada?
A estratégia da BYD é avançar gradualmente do simples processo de montagem para uma produção mais completa.
Isso inclui etapas como:
estamparia → soldagem → pintura → montagem final.
Quanto mais dessas etapas forem realizadas em território brasileiro, maior tende a ser a participação da indústria local no processo.
A empresa também trabalha para aumentar a quantidade de componentes produzidos por fornecedores brasileiros.
BYD quer mais de 50% de peças nacionais
Uma das metas anunciadas pela montadora é superar 50% de nacionalização de partes e peças até 2027.
Para alcançar esse objetivo, a companhia iniciou uma campanha específica para encontrar fornecedores brasileiros.
Em uma das apresentações da iniciativa, quase 300 representantes de empresas participaram do processo de aproximação com a montadora.
Isso pode trazer impactos que vão muito além dos funcionários da própria fábrica.
Se bancos, componentes plásticos, estruturas metálicas, peças elétricas e outros itens forem produzidos localmente, novas empresas podem passar a fazer parte da cadeia da BYD.
Quais carros são produzidos em Camaçari?
Entre os modelos que já passaram pela operação baiana estão:
- BYD Dolphin Mini;
- BYD King;
- BYD Song Pro.
A própria empresa informou em 2026 que mais de 50 mil unidades desses modelos já haviam saído da linha de produção em Camaçari.
O Dolphin Mini possui um significado especial porque foi o primeiro modelo 100% elétrico da marca produzido no Brasil.
A fábrica já chegou a 100 mil carros produzidos
O crescimento acelerou em 2026.
Segundo a página oficial de carreiras da BYD, a operação de Camaçari atingiu em julho de 2026 a marca de 100 mil veículos produzidos.
Isso mostra a velocidade com que a fábrica vem aumentando sua atividade industrial.
Ainda em 2025, a companhia celebrava os primeiros 10 mil veículos produzidos na Bahia.
Em poucos meses, portanto, o volume avançou de dezenas de milhares para a marca de 100 mil unidades.
Quantas pessoas trabalham na fábrica?
O emprego é outro ponto central do projeto.
Em 2026, a BYD informou que a fábrica já possuía mais de 4,1 mil trabalhadores diretamente empregados e estava recrutando outros 1,6 mil profissionais para iniciar um terceiro turno.
Posteriormente, a própria página de carreiras da companhia registrou a marca de 5,5 mil colaboradores em julho de 2026.
Com todas as fases concluídas, a projeção anunciada pela BYD é de até 20 mil empregos diretos e indiretos ligados ao complexo.
Por que uma fábrica cria empregos fora dela?
Porque fabricar um carro depende de uma cadeia extensa.
Uma montadora precisa comprar ou contratar:
- peças;
- pneus;
- vidros;
- bancos;
- componentes eletrônicos;
- estruturas metálicas;
- transporte;
- alimentação;
- manutenção;
- segurança;
- logística.
Isso significa que uma fábrica pode gerar demanda para empresas que nem sequer ficam dentro de seu terreno.
Se a nacionalização dos componentes avançar, uma parcela maior dessas compras poderá ser realizada no Brasil.
Por que Camaçari é tão importante?
A cidade já possuía uma longa relação com a indústria automotiva.
A área ocupada hoje pela BYD fazia parte de um antigo polo automobilístico.
Com a chegada da nova fabricante, instalações e parte da estrutura industrial da região voltaram a ganhar atividade.
A própria BYD apresenta o projeto como parte de um processo de reindustrialização de Camaçari, com criação de empregos e atração de fornecedores.
Para a Bahia, isso significa ter novamente uma grande montadora funcionando como âncora de uma cadeia industrial.
A fábrica pode movimentar outros setores?
Sim.
A instalação de milhares de trabalhadores e fornecedores pode produzir efeitos em diferentes áreas da economia local.
Entre elas:
moradia: trabalhadores podem aumentar a demanda por imóveis.
alimentação: restaurantes e fornecedores atendem funcionários e empresas.
transporte: cresce a necessidade de deslocamento de pessoas e mercadorias.
logística: veículos e peças precisam entrar e sair continuamente do complexo.
serviços: manutenção, construção, limpeza e segurança também são necessários.
É o chamado efeito multiplicador de um grande investimento industrial.
Produzir no Brasil pode deixar os carros mais baratos?
Não existe garantia.
Produzir localmente pode reduzir alguns custos.
Peças fabricadas no Brasil podem diminuir dependência de transporte internacional, importação e variações cambiais.
Uma cadeia de fornecedores próxima também pode reduzir prazos logísticos.
Porém, o preço final de um veículo depende de vários fatores:
- impostos;
- custos de matérias-primas;
- câmbio;
- mão de obra;
- concorrência;
- margem da fabricante;
- estratégia comercial.
Portanto, uma fábrica nacional aumenta a capacidade de competir, mas não significa automaticamente redução de preço.
Por que a BYD aposta tanto no Brasil?
O mercado brasileiro cresceu rapidamente para a companhia.
A própria BYD afirma que o Brasil já se tornou seu maior mercado fora da China.
Isso ajuda a explicar por que a estratégia foi além da simples importação.
Quando uma fabricante atinge volumes relevantes de vendas em determinado país, produzir localmente pode passar a fazer mais sentido economicamente.
Também existe uma questão estratégica.
Ter uma fábrica no Brasil aproxima a produção de um dos maiores mercados automotivos da América Latina.
O Brasil pode exportar carros produzidos na Bahia?
Essa é uma possibilidade importante para o futuro do projeto.
A BYD já afirmou que a ampliação da estrutura industrial deverá colocar Camaçari no mapa das exportações brasileiras de veículos.
Se isso acontecer em escala relevante, a fábrica não atenderá apenas ao consumidor brasileiro.
Ela poderá funcionar como uma base industrial para outros mercados da região.
Nesse cenário, a Bahia ganharia importância não apenas como mercado consumidor, mas também como plataforma de produção automotiva.
O projeto é só de carros elétricos?
Não.
A estratégia da BYD no Brasil envolve tanto veículos 100% elétricos quanto híbridos.
Um exemplo importante é o desenvolvimento de um motor híbrido flex 1.5 DM-i, criado em colaboração entre equipes chinesas e brasileiras e projetado para utilizar gasolina e etanol.
Isso mostra uma adaptação da tecnologia da empresa às características do mercado brasileiro.
O etanol possui papel muito maior na matriz de combustíveis brasileira do que na maioria dos outros grandes mercados automotivos.
Uma fábrica desse tamanho funciona sozinha?
Não.
Uma planta capaz de produzir centenas de milhares de carros precisa de enorme infraestrutura.
São necessários:
energia + água + estradas + fornecedores + sistemas digitais + transporte + mão de obra especializada.
Por isso, o impacto de um complexo como o de Camaçari vai além de quantos carros saem da linha.
Ele também exige investimentos em toda a estrutura ao redor.
A BYD pode mudar a indústria automotiva brasileira?
A chegada de uma nova fabricante em grande escala aumenta a concorrência.
Montadoras tradicionais passam a disputar mercado com uma empresa que cresceu rapidamente principalmente nos segmentos de elétricos e híbridos.
Isso pode influenciar:
- preços;
- tecnologia;
- equipamentos;
- lançamento de novos modelos;
- investimentos em eletrificação;
- produção nacional.
A consequência pode ser uma aceleração da transformação do próprio mercado automotivo brasileiro.
Conclusão: 645 campos de futebol mostram apenas uma parte do tamanho do projeto
Os números físicos impressionam.
O complexo da BYD em Camaçari possui 4,6 milhões de metros quadrados, o equivalente a aproximadamente 645 campos de futebol, e recebe investimentos de cerca de R$ 5,5 bilhões.
Mas a dimensão mais importante talvez esteja fora dos muros da fábrica.
A capacidade inicial é de 150 mil veículos por ano, com expansão prevista para 300 mil. A companhia quer ultrapassar 50% de nacionalização de componentes até 2027 e projeta até 20 mil empregos diretos e indiretos quando todas as fases estiverem concluídas.
Em julho de 2026, a operação já havia alcançado 100 mil veículos produzidos e 5,5 mil colaboradores, segundo dados divulgados pela própria empresa.
Isso transforma Camaçari em mais do que uma fábrica de carros.
A cidade está se tornando um laboratório para saber até onde a nova fase dos veículos elétricos e híbridos pode também representar uma nova fase da indústria automotiva brasileira.
Perguntas frequentes
Qual é o tamanho da fábrica da BYD no Brasil?
O complexo de Camaçari possui cerca de 4,6 milhões de metros quadrados, área que a empresa compara a aproximadamente 645 campos de futebol.
Quanto a BYD investiu em Camaçari?
O investimento anunciado é de aproximadamente R$ 5,5 bilhões.
Quantos carros a fábrica pode produzir?
A capacidade inicial prevista é de 150 mil veículos por ano, com expansão para 300 mil unidades anuais na segunda fase.
Quantos carros já foram produzidos?
Segundo a página oficial de carreiras da companhia, Camaçari chegou a 100 mil veículos produzidos em julho de 2026.
Quantos funcionários trabalham na fábrica?
A companhia registrava 5,5 mil colaboradores em julho de 2026, segundo sua página de carreiras.
Quais modelos são produzidos em Camaçari?
Entre os modelos que já passaram pela linha estão Dolphin Mini, King e Song Pro.
A BYD pretende usar mais peças brasileiras?
Sim. A empresa anunciou a meta de ultrapassar 50% de nacionalização de partes e peças até 2027.



